ONG Bahia Street faz 25 anos

 Um ato de amor e resistência pelo bem viver

um ato político que vai na contra mão dos sistemas educacionais racistas e sexistas. É um modelo a seguir para a concretude da justiça social e do bem viver.”

Em 1996, há 25 anos era fundada a primeira organização sem fins lucrativos para meninas negras da cidade de Salvador. Um marco da luta antirracista em uma era de grandes desafios para o terceiro setor. Fundada e localizada no bairro Dois de julho, um dos mais centrais e boêmios da cidade, o Projeto Social Ruas da Bahia o “Bahia Street” acolhe há mais de duas décadas meninas negras de 06 à 17 anos em situação de vulnerabilidade social.

Tendo como base a educação emancipadora, o Bahia Street foi fundado por Rita Conceição, ativista comunitária, antropóloga, fotógrafa, estudante de pedagogia da UFBA, que até hoje coordena o BS com a parceria de Gizelda Alves, ativista antirracista, socióloga, Draª em audiovisual e de toda equipe técnica e de voluntários(as)  que prezam pelo cuidado e respeito das meninas e mulheres negras que são atendidas em seus projetos voltados para educação, cultura, saúde, lazer e arte, além do estudo de línguas estrangeiras gratuitamente e de forma integral. Foram centenas de meninas atendidas que hoje são grandes referências de mulheres negras emancipadas através do projeto.

Destaque nacional e internacional

12 anos depois da sua fundação, em 2008, o BS recebeu o prêmio  “The World of Children” do Fundo Internacional de Emergência das Nações Unidas para a Infância  (UNICEF) e no ano seguinte, recebeu o prêmio “IvyInter-American Foundation” em Washington, EUA, pelo seu trabalho humanitário dedicado às meninas negras em vulnerabilidade social na cidade de Salvador.

O destaque nacional veio em 2014 com o prémio “Lélia Gonzalez” da Secretaria de Politicas de Promoção da Igualdade Racial (SEPIR).

Os sorrisos das meninas negras é a maior riqueza.

Na Pandemia as atividades presenciais foram interrompidas, mas os trabalhos em prol das meninas negras permaneceram mesmo com a ausência de financiamentos e das dificuldades tecnológicas para a excursão.

25 anos de uma organização sem fins lucrativos para crianças negras é, acima de tudo a concretização de um ato de amor e resistência. É um ato político que vai na contra mão dos sistemas educacionais racistas e sexistas. É um modelo a seguir para a concretude da justiça social e do bem viver.

Nesse sentido, demarcar esses 25 anos dessa história, é, além de um registro, uma ação histórica que servirá de base para outras organizações seguirem resistindo em prol de uma educação gratuita e de qualidade.