Patacori: lançamento de curtas

O candomblé é uma tradição baseada na oralidade dos mais velhos, que detém o saber. Nele, as tradições são passadas através das gerações e como não conseguimos parar o ciclo natural da vida, corremos o risco de não documentar todo o seu conhecimento quando eles morrem”, afirma Marcelo Morais, do Coletivo Patacori Audiovisual.A ideia de registrar estes saberes tradicionais do candomblé e da umbanda nasceu da necessidade de combater o preconceito contra estas religiões e pelo desejo de narrar estas histórias a partir dos próprios olhos. Desde 2011 foram registrados 559 ataques contra religiões de matrizes africanas Brasil afora.

Audiovisual como auto-expressão

Para Marcelo Morais, do Coletivo Patacori a intolerância está baseada no racismo e no desconhecimento sobre as práticas religiosas. “Só em contato com o diferente que vamos conseguir superar as diversas forma de opressão que estão postas”, comenta.

Por meio do Programa de Valorização de Iniciativas Culturais – VAI 2017, da prefeitura de São Paulo, o Coletivo Patacori Audiovisual realizou oficinas de produção audiovisual para jovens negros e periféricos frequentadores de terreiros e espaços religiosos de matrizes africanas em janeiro deste ano.

As oficinas deram origem a dois mini-documentários e a uma publicação, que serão lançados no dia 3 de agosto, em São Paulo, produzidos pelos próprios aprendizes.

A publicação conta com poesias, histórias e contos de autoras como Jô Freitas, Thatá Alves, Anna Raquel, Webert Cruz, Priscila Preta, Marília Casaro e projeto gráfico de Luiz Matheus, com produção de Monique Lupi e Marcelo Morais.

Direito à própria voz

Por meio de ciclos de cultura, os participantes aprenderam a captar imagens, colher depoimentos e editar o material final. O método está atrelado ao conceito de oralidade nos terreiros, já que “com a expansão da internet e a produção de conteúdos, temos o audiovisual como principal ferramenta de disseminação de ideias e pautas da população negra”, afirma Monique Lupi, membro do Coletivo.

“O direito à narrativa da juventude negra se faz necessário para vocalizar nossa luta para que estejamos vivos, com equidade de raça, classe, gênero e liberdade religiosa”, resume Morais.

O QUE: Patacori – lançamento de curtas

QUANDO: 03 de agosto de 2018, às 19h

ONDE: Alameda Nothmann, 1.135 – Sta Cecília, São Paulo – Cia da Revista