Salloma Salomão e Cesar Lacerda apresentam os seus novos trabalhos em um fim de semana de shows no Itaú Cultural

Lacerda lança Tudo Tudo Tudo, disco com direção artística de Marcus Preto e sonoridade pop. Na estreia do espetáculo Agosto na Cidade Murada, Salomão apresenta uma narrativa ficcional, que une música e teatro, inspirada por Itamar Assumpção, Lima Barreto, Jethro Tull  

Cesar Lacerda e Saloma Sallomão lançam seus novos trabalhos no Itaú Cultural. O primeiro apresenta seu terceiro disco Tudo Tudo Tudo, no dia 17 (sexta-feira), às 20h. O segundo, lança o espetáculo musical Agosto na Cidade Murada nos dias 18 (sábado), às 20h, e 19 (domingo), às 19h, que, em data ainda não prevista, será lançado em CD e DVD.

A direção artística de Tudo Tudo Tudo é do jornalistaMarcus Preto, que vem trabalhando com músicos como Gal Costa, Tom Zé, Nando Reis e Mallu Magalhães. Nele, Cesar Lacerda se aventura por uma linguagem mais pop. O trabalho contém uma regravação da canção Me Adora, da cantora baiana Pitty, e a participação especial de Maria Gadú, na música Quando Alguém.

No show de lançamento, o músico se apresenta apenas com o violão tocando canções de seus discos e interpretando artistas consagrados como Ângela Ro Ro, Caetano Veloso, Rita Lee, Lady Gaga e Só Pra Contrariar. Segundo ele, a intenção é fundir a exuberância perfeita de João Gilberto, por exemplo, com a sedução de personagens mais pop como Ed Sheeran. A busca por uma interpretação que evidencie a potência das canções é o norte deste novo show ”, diz.

Fim de semana

No sábado e no domingo é hora de conhecer o novo trabalho de Saloma Sallomão, no palco do Itaú Cultural,inicialmente formulado como roteiro de HQ e inspiradopor nomes como os de Itamar Assumpção e Arthur Bispodo Rosário. Em Agosto na Cidade Murada, teatro e música se interpõem, dando corpo a uma tragicomédia em forma de teatro-show, com um elenco totalmente composto de jovens artistas afroperiféricos.

A narrativa expressa o esboço dramatúrgico de um mundo saturado de violência e conformismo, em uma fábula urbana sobre processos de dominação em contraponto às lutas emancipatórias. A trama se desenrola em uma sociedade pós-racial, dividida por um longo muro visível, há um velho mameluco e uma alma-índia e vaga, como alusão remota à liberdade, e lampejos de utopias de Darcy Ribeiro e Taiguara. Um déspota midiático-narcisista antagoniza, com dois jovens periféricos e sua mãe, uma decadente ex-professora de sociologia, transformada em passeadora profissional de cachorros. Dois líderes secundaristas Akinjide e Afolabi encontram a fragilidade do muro que separa cândidos do “resto” das pessoas, moradores da área externa e estranha à cidade.

A partir deste panorama, textos orais e gestuais são intercalados por canções inéditas. A direção do espetáculo é de Oliveira e Mariana Souto Mayor. No elenco, entre outros, estão Martinha Soares, o grupo Clariô, de teatro, e seu projeto musical Clarianas, Talita Araujo, do coletivo teatral Zona Autônoma, e Ana Raquel Rodrigues, atriz, poetiza e slamer.

Saloma Sallomão observa que, neste trabalho, busca uma estética negra de multilinguagem, contudo, esta não é sua primeira experiência neste campo. Há três anos apresentou, também no palco do Itaú Cultural, 3 Mil Tons. O espetáculo reuniu membros dos principais coletivos de artes negras de São Paulo: Cia Capulanas, Clarianas, Clariô, Cia Deodara, Banda Al Andalus, Coletivo Negro, NucleozonaautônomAa e Ouro e Chá para celebrar vida e obra de três Miltons – Santos, Gonçalves e Nascimento.Dessa vez, em Agosto na Cidade Murada, o artista retoma nos palcos, esta junção de linguagens evocando uma perspectiva sobre a urbanidade, combinadas a questões afrodiaspóricas, tema central em seus trabalhos.

Salloma Salomão

Músico e professor, pesquisador de culturas negras afrodiaspóricas e história da África. Já lançou seis CDs, três DVDs e dois livros autorais. É colaborador de revistas e grupos de pesquisa acadêmica e artísticos sobre culturas musicais africanas e afro-brasileiras, além de dramaturgia e teatro negros. Possui graduação, mestrado e doutorado em história pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) com estágio no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

Ele produz e executa eventos artísticos de temática negra e afrodispórica. Trabalhou na Fundação Santo André, ministrando aulas na graduação e pós-graduação em história e relações internacionais. Consultor das secretarias municipais e estaduais de educação para projetos de formação continuada. Desenvolve os seguintes temas: culturas musicais de origens africanas, dramaturgia e teatro negros, políticas e práticas culturais negras do século XIX e XX, identidades étnicas e movimentos negros urbanos, sociabilidades negras em São Paulo e musicalidades africanas.

César Lacerda

É cantor, músico e compositor mineiro, de Diamantina. Possui bacharelando em Flauta Transversal, pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com formação complementar na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio).

Lançou em 2013 o seu primeiro disco, Porquê da Voz, com produção musical de Elisio Freitas. Com doze faixas autorais, o álbum conta com as participações especiais de artistas como Lenine, o percussionista Marcos Suzano, do quarteto de cordas do leste-europeu Taron, e de alguns novos nomes da MPB, como o pernambucano Carlos Posada e a cantora Juliana Perdigão. A obra foi celebrada pela crítica especializada e, de lá pra cá, o músico já levou o seu trabalho para sete países (Brasil, Uruguai, Cuba, Holanda, Alemanha, Itália e Portugal), tocando em espaços respeitados como a Casa da Música em Portugal, junto do rapper Emicida, o Club Bahnhof Ehrenfeld, na Alemanha, o TramJazz, na Itália, com o senegalês MadyeDiebate, no Festival Romerias de Mayo em Cuba; e no Circo Voador, Oi Futuro Ipanema e Cidade das Artes, no Rio de Janeiro; Auditório Ibirapuera, Casa de Francisca e Itaú Cultural, em São Paulo, Teatro Paiol, em Curitiba, e Cine Theatro Brasil Vallourec, em Belo Horizonte.

Em agosto de 2015, o artista lançou o seu segundo álbum, Paralelos & Infinitos, com produção musical de Pedro Carneiro. Na gravação do disco, o multi-instrumentista executa quase todos os instrumentos e conta com as participações especiais dos artistas Cícero, Lucas Vasconcellos e Pedro Carneiro. O álbum, que contém oito faixas autorais, foi lançado pela gravadora Joia Moderna. No final de 2016, lançou pelas gravadoras YB Music e Circus, o projeto especial, O Meu Nome é Qualquer Um. O disco, todo feito ao lado do compositor paulistano Romulo Fróes, têm 13 canções inéditas.

César têm parcerias musicais com artistas como Paulinho Moska, Marcelo Jeneci, Rômulo Fróes, Matheus Nachtergaele, Eucanaã Ferraz e Roberta Campos. Já teve canções suas gravadas em mais de vinte discos de artistas como Filipe Catto, Marcia Castro, Aíla, Duda Brack, Julia Bosco, Graveola e o Lixo Polifônico, entre outros.

Em 2017, César Lacerda lançou o seu quarto álbum, tudo Tudo Tudo Tudo, também pelas gravadoras YB Music e Circus. Com direção artística de Marcus Preto e participação especial de Maria Gadú.

SERVIÇO:

Lançamento do disco Tudo Tudo Tudo Tudo, de Cesar Lacerda

Dia 17 (sexta-feira), às 20h

Duração: 90 minutos

Classificação indicativa: livre

Local: Sala Itaú Cultural

224 lugares

Entrada gratuita

Distribuição de ingressos:

Público preferencial: duas horas antes do evento | com direito a um acompanhante

Público não preferencial: uma hora antes do evento | um ingresso por pessoa

Interpretação em Libras