Marca, doce marca.

Aviso de cuidado – Esse texto é recomendado para maiores de 16 anos.

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Você me toca e instantaneamente meu corpo reage, como se já  tivesse decifrado todos os códigos dele. Eu apenas vou, porque  você sabe onde me levar, então quanto mais perto, mais eu te sinto em mim. Suas mãos passeiam, pegam rotas, atalhos, caminhos, mas seu destino é sempre o mesmo, é me ter, me tem de lado, ao contrário, ao avesso, me tem. Você aperta minha cintura, me beija e me olha como se dissesse que fazer turismo fosse a ação mais divertida, tendo como apreciação de monumento, tudo que te entreguei entre minhas coxas, entre meu íntimo, entre a distância de sua língua e meu úmido. O grande espetáculo começa, você é o maestro da orquestra, e assim como em uma, todos os seus comandos criam uma melodia de agudos e graves. Todo meu corpo fica quente e treme, então você me aperta, apressando seus movimentos, como se tivesse pressa para me encontrar, mas eu entendo, não é pressa, é desejo, seu desejo de me encontrar me deixa em ápice. Em ápice eu te molho, me derramo, nos amamos. Sinto impulsos que não controlo, minha cintura segue a sequência que você dá e assim meu íntimo dança, junto com minhas mãos que querem você, procuro seu toque, porque eu preciso que me segure. Você entra em mim, mexe e vasculha pelo ponto de partida, toda vez que encontra, tem total controle sobre mim, meu ser se excita, minha alma transfigura, transfigurou, ficou transfigurada desde o seu encontro. Tenho em memórias, arrepios, suspiros e incontroláveis atos de puxar tudo ao meu alcance, quero que me tenha de novo.

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Imagem: antifluor, flickr.
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Estou escrevendo sobre isso porque hoje, aos 33 anos, sei que a minha reconciliação com minha mãe e tias somente foi possível a partir deste aprendizado no movimento negro. Ouvindo com atenção as mulheres negras, curando-me de mágoas e repensando politicamente minhas relações afetivas com as demais mulheres. Lembro-me que desde os meus 13 anos, passando pelos 15, minhas tias, devido às alianças com seus seduzidos companheiros pela minha adolescência negra, me isolavam do convívio mútuo, não falavam comigo, ainda que a oralidade e a roda de diálogos sejam expressões singulares africanas, inclusive na diáspora, como terapia comunitária e reconstrução da espiritualidade e das emoções.