Poéticas do gueto

Estamos escrevendo uma nova realidade para o povo preto. É absolutamente contagiante ver o orgulho nos olhos dos nossos irmãos se sentindo cada vez mais bonitos, admirando sua quebrada sem perder a consciência de que a luta pela dignidade e pela liberdade é todo dia. Se alguém ainda tem muita dificuldade para entender essa dinâmica, para acompanhar a diversidade criada pela criatividade de nosso povo, não se preocupem, para isso estamos nas suas universidades, para tentar explicar pra ver se vocês entendem e conseguem deixar de separar a luta, a politica, a militância da sensibilidade, da beleza, do lirismo.
Cleidiana Ramos é jornalista.
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Quantos negros para cada dez personagens?

Agora vocês, bons de matemática, calculem por favor a probabilidade de Verônica de Amor à Vida ser negra e transexual. E médica, anotem. Na minha época de escola, zero multiplicado por quase nada sempre foi uma impossibilidade, mas não custa nada perguntar. Também é preciso aparecer em boas cenas. Dessas que são divertidas, emocionantes e tem final feliz para mostrar para a garotada que a gente também pode. Acho que não é pedir muito.