Amar uma mulher negra é um ato político

Venho trazer uma provocação:

Bem sabemos que ser preterida é algo comum para nós mulheres negras, sabemos que muitas de nós só beijamos a primeira vez muito tempo depois que colegas brancas, somos preteridas por brancos e negros – nada de novo sob o sol.

A provocação que eu trago é se as mulheres lésbicas e bissexuais negras são ou não são palmiteiras? Sim sei muito bem que pra nós mulheres negras o preterimento é comum, mas vamos ao que os relatos de amigas e minha vivência mostram. Em conversa com amigas aparece um número considerável de mulheres negras lésbicas e bissexuais reproduzindo o machismo, sendo abusivas e preterindo outras mulheres negras, principalmente as mulheres negras retintas, e não tendo responsabilidade afetiva com elas. Esquecendo que é muito mais fácil amar uma mulher branca, financeiramente bem, e emocionalmente bem e como a idéia de estar com uma pessoa branca é a subida para ascensão, a idéia que namorar mulheres brancas dá uma segurança. Sabendo que nós negras e principalmente mulheres negras retintas quase a vida toda fomos zoadas na escola ou ser até notada mas como um pedaço de carne porque tem um corpão. Somos hiperssexualizadas, o amor não foi feito pra nós e toda a construção do nosso país fez /faz com que nos odiemos. E quando estamos amando queremos sim gritar para todos os cantos, queremos tirar fotos, nem é para exibir no sentindo de fazer inveja mas pelo que representa estar amando uma mulher negra. Amar uma mulher negra é um ato político.

Termina com você dizendo que o amor acabou, insiste para manter a amizade, usa você porque sabe que você ainda gosta, como fica fácil de fazer postagem nas redes sociais dizendo que encontrou o verdadeiro amor, que teve que percorrer um caminho todo, que os outros relacionamentos talvez tivessem sido migalhas, e quando estava com você tirar foto não era legal porque não queria expor a própria vida, porque amor não era para ser exibido.

E como a pessoa não têm respeito entre si, alguns irão dizer que a vida dela continuou e que nós, mulheres negras, somos recalcadas, mas eu digo: não fale do que você nunca passou. E todas mulheres negras, principalmente as de pele retinta, têm uma ou mais vivencias de preterimento pra contar.

Imagem de destaque: Nappy.

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