Cheiro de feijão

Sinto falta de tudo que era meu.

Tudo.

Da rua sem asfalto iluminada

pelo sol seco.

Do apito do carrinho do senhorzinho

que conserta panelas.

De assistir a casca da laranja se transformar

num espiral perfumado e infinito.

Saborear cada gomo sem pressa pra vida.

De sentir o cheiro do feijão refogado

na casa da vizinha.

Ouvindo a mulher que canta sua saudade

com voz trêmula e melancolia.

Na vitrola, a música que revela seus segredos.

Sinto falta de tudo que ficou pelo meio.

Das vozes que não pedem licença.

Dos olhares que pedem licença.

Das tardes de sábado.

Do mingau de aveia.

Gemada.

Do cheiro do café coado e

do pão fresquinho.

Das vidas inseparáveis.

You May Also Like
Leia mais

Os Ibejis e o Carnaval

Bem, aqui em casa este é um dos livros com sucesso garantido e um dos mais solicitados nos momentos de rodas de história e conversas, sejam familiares ou entre amigos. E para ajudar a elucidar as curiosidades que a narrativa pode suscitar nos pequenos (e nos adultos também), o livro ainda possui um riquíssimo glossário que descreve os termos abordados ao longo da história, como os instrumentos de percussão, os ritmos, os diferentes blocos, a origem da festa e breve histórico das pessoas citadas, satisfazendo todas as curiosidades possíveis com informações diversas sobre o nosso Carnaval.