Projeto “Direito à Memória” resgata história de figuras negras amazonenses

Projeto transmídia tem foco nas figuras históricas amazonenses, que não estão nos livros, nem nos retratos dos museus

Reivindicar lugares na memória da cidade de Manaus, compreender a identidade de figuras negras enterradas, que reforça o não lugar da povo preto tantas vezes invisibilizada. Essa é a proposta do projeto “Direito à Memória”, pesquisa artística que gera documentário, filme, fotografia, ocupação urbana com a construção de grandes obras em lambe, utilizando a arte como ferramenta de intervenção. O projeto transmídia tem foco nas figuras históricas importantes que não estão nos livros, nem nos retratos dos museus, pois seu objetivo é pesquisar e procurar pessoas amazonenses e negras que fizeram parte da nossa história, e as atuais que fizeram e ainda fazem história no estado.

Realizado pelo Grupo Picolé da Massa, sua execução se dá devido ao apoio do Prêmio Conexões Culturais 2018, promovido pela Prefeitura de Manaus, através da Fundação Municipal de Cultural, Turismo e Eventos – ManausCult. Tendo ainda parceria com  o Movimento Tupiniqueen e Cúpula 902.

A ideia é dialogar e pulverizar informações que como essas são determinantes para que Manaus consiga olhar-se no espelho e ver a grandeza de sua ancestralidade.

O projeto se divide em diversas etapas, sendo elas construídas em um processo que envolve muita pesquisa, gravações, ocupação das ruas, informações e obras na web e exposição em galeria de arte. Idealizado pela artista visual, produtora e realizadora audiovisual Keila Serruya, o projeto relata o quanto é importante dentro de sua pesquisa ter uma equipe formada por pessoas negras e indígenas. Uma artista que mesmo em sua produção solo executa um trabalho que demanda incluir pessoas de cor que falem exatamente sobre isso.

“Nossa região insiste diariamente que não existem pessoas negras por aqui, essa insistência é uma das partes mais cruéis desse racismo estrutural que nos mata, de forma física ou epistemológica, como corpo ou como pensamento e cultura. Querem nos invisibilizar de todas as formas. Compreender-se como indivíduos negros é um ponto inicial para construir uma auto imagem poderosa.”, comenta a

Ainda de acordo a criadora, ao entender a arte como processo o projeto dividiu-se em três etapas. “Estas três etapas são construídas a partir de todo processo, desde a sua idealização, como sua execução na rua, na galeria de arte e nas escolas, pois dialogar e pulverizar informações como essas são determinantes para uma cidade que consiga olhar-se no espelho e ver a grandeza da pele preta que tem”, destaca.

Etapas e ações

A primeira etapa consiste em buscar conversas e registros em textos, fotos e vídeos. Será feito um trabalho de pesquisa que busca reivindicar o lugar figuras atuais, pessoas negras mobilizadoras sociais e que foram pioneiras em nossa história. Os personagens que estão vivos serão registrados e terão suas histórias reivindicadas através do projeto.

Já a segunda etapa vem ao encontro do pensamento de Arte pública – lambes – Ocupação. Esta consiste em retratar as imagens e histórias selecionadas através de lambes que ocuparão a cidade de Manaus.

A terceira e última etapa será a Exposição, onde trará a exposição dos registros realizados nas etapas 01 e 02: fotos, vídeos, das intervenções de colagens de lambes.

Keila Serruya –  Concepção e Direção artística

Mulher negra amazonense que reflete a arte e os conhecimentos ancestrais para se manter viva, resistente e poderosa. Mãe, artista, realizadora audiovisual e produtora cultural. Analisa constantemente os prováveis diálogos a serem praticados e desenvolvidos com a cidade e quais urgências necessitam ser colocadas em pauta. Pensa e manifesta a arte como ferramenta de transformação para que tudo de positivo na cultura seja perpetuado, e o que é aflição para si e/ou para o outro seja contestado, repensado e modificado. Acredita que os diálogos tecnológicos, periféricos, audiovisuais e de ocupação trazem uma proposta que modifica existir de todos que se deparam e consomem essas narrativas para RUA. Mulher negra em movimento cultivando a mudança do mundo e fazendo política todas as vezes que cria, produz, performa, filma, fotografa, instala, intervém e ocupa.

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Incorporar o reconhecimento de nossos valores culturais, étnicos e tradições ancestrais, para erradicar as práticas discriminatórias e situações de desigualdade e violências que enfrentam as Mulheres Negras nos distintos âmbitos onde atuamos, como uma estratégia que potencialize nossa participação e autonomia em pleno exercício dos nossos direitos humanos para a realização do nosso desenvolvimento sócio político, econômico e cultural contra a imposição dos estereótipos em relação a nossa identidade cultural.