Reflexões de uma Mulher Negra

Atualmente frequento bastantes parques públicos e um dos meus hobbys prediletos é observar qualquer tipo de pessoas, principalmente às crianças. Adoro seus sorrisos, seus olhares e sua energia contagiante. Em um desses passeios visualizei um grupo de crianças negras brincando e correndo pelo parque, lembrei imediatamente da minha sobrinha de 05 anos de idade, que certa vez me disse que gostaria de pedir para o papai do céu que ela e sua mãe fossem brancas. Nesse momento fiquei sem ação, uma dor terrível invadiu meu coração, uma armadilha do destino, pois milito tanto por aí sobre as questões de gênero e sobre o enegrecer e etc e tal, porém isso foi acontecer logo dentro do meu lar, dentro da minha casa.

A luta é extremamente árdua, algumas vezes avançamos muito, mas quando acontecem situações assim desse tipo, voltamos ao marco zero. Dá uma sensação de derrota e de repente vem àquela recordação do motivo principal de estar nesta guerra.

Depois daquele episódio e também no momento atual, com minha cabeça negra, crespa e confusa, pergunto, quantas menininhas negras tem este tipo de pensamento e não é revelado?

Não estamos imunes e sim vulneráveis a isso.

Também pensei na minha infância e percebi por causa de algumas dificuldades que sofri naquela época, não tive tempo de refletir quem eu era de verdade, apenas achava que o mundo era assim como o meu, composto de muitas pessoas negras. Foi um período que não tinha espaços tão “democráticos”, provavelmente um dos motivos era por causa da questão econômica.

Mais uma vez pude analisar o quanto é extremamente importante de ter uma mulher negra empoderada sendo anônima ou famosa, não importa, o mais importante é não silenciar opressão jamais. Assim consegui me inspirar em tantas mulheres maravilhosas que permanecem e também já passaram em minha vida e tenho certeza que irei conhecer outras. Quero passar este conhecimento, este poder para a nova geração, pois foi assim que minha avó passou para minha mãe e minha mãe passou para mim e minha irmã e assim será nosso feminino, quase uma tradição de família.

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E por falar em mãe…

Com voz trêmula, a criança sangue do meu sangue chamou: “mãããããeee!”. E o que se deu a seguir, acredito, foi uma cena de amor explícito, escancarado para quem quisesse assistir. Quando mamãe viu sua cria sendo “gentilmente” apalpada pelos gambés, virou leoa ninja. A bolsa (comprada na liquidação do Mappin) que carregava presa ao peito, voou na velocidade da luz rumo aos homens da lei, com os gritos de “Solta meu filho! Larga ele!”. Impressionante como mamãe é boa nisso! Foi bolsada pra todo lado.