Sinto que o mundo pisa em pescoço

Sinto que o mundo pisa em pescoço.
Quando tiro os pés.
Vem o joelho e com força.
Quando tiro o joelho vem os cotovelos, as cotoveladas.
Quando tiro os cotovelos, vêm as mãos.
Quando tiro as mãos, penso que acabou, vem os olhares.
Quando vêm os olhares, encaro até se desviarem.
Quando vêm as palavras, as palavras, meu corpo mastiga, toda a violência, a ancestralidade grita em minha alma, resistência.
E tudo fica ali, camuflado em energias somáticas em constante desespero.
Fica ali em meu corpo, andando e andando toda aquela energia magnetizada.
Lembro-me do processo que passei, faço a prece, peço proteção, paz, auxílio à espiritualidade.
Então começa a limpeza.
Às vezes a limpeza causa uma má digestão e então eu vomito toda a violência e energia negativa camuflada e somatizada em meu corpo.
Vem um sopro meu estômago.
Eu agonizo, agonizo.
Mas não caio.

Imagem destacada: Daphnne Lee, Miss Black América 2017, Campus Lately

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