Uma crônica sobre o passado

Meu pai me perguntou por que quando outro dia fui perseguida por um homem dentro da universidade, fiquei desesperada, por que não me impus, não ameacei, como tantas vezes faço em outras situações. Também não entendo o porquê. Sei é que só penso em fugir, me esconder, guiada pelo medo. Medo de que ao enfrentá-lo, ele me desse um tapa na bunda e saísse dando gargalhadas.

Ninguém sobrevive à violência sexual

Um estupro não termina quando o agressor larga os nossos corpos, ele continua quando não acreditam em nossos relatos, quando duvidam da nossa dor, quando não lutam pelo fim do machismo na sociedade, quando insinuam que nossos corpos existem para serem consumidos, quando nos negam a possessão de nossos próprios corpos e quando tentam nos calar. O machismo mata todos os dias.