Nós sempre votaremos em branco?

Entre um branco escroto e um branco com um histórico de maior abertura para as demandas das minorias sociais, com certeza, eu opto pelo segundo. No entanto, observando os discursos e imagens a favor do branco de bandeira vermelha, eu vejo como o populismo branco segue uma lógica assimilativa dos nossos discursos só que com certo oportunismo e pouca preocupação com a construção de uma esquerda antirracista de fato. Não basta discursivamente ser inclusivo, quando até o momento, não houve se quer uma proposta de lançamento de uma candidata negra a, pelo menos, vice-presidência.

A política do país, historicamente, só nos levou a eleger em grandes cargos da política a branquitude. Atualmente, percebo que para isso atribuiu ao perfil populista um caráter universal de representante de todos, só que não é. As oportunidades que os brancos têm de crescerem em seus partidos é diferente das dadas às pessoas negras. Isso é “claro”! Lembrei da crítica que Lélia Gonzalez fez ao Partido dos Trabalhos em 1983, sobre um discurso feito na época de omissão as problemáticas raciais. Embora hoje haja certo reconhecimento do partido acerca da situação racial no Brasil, a esquerda branca ainda tem feito pouco para garantir a equidade nas representações políticas. O branco continua sendo o nosso salvador e engolimos isso facilmente sem questionar o porquê do populismo nunca ser preto.

Esse ano eu decidi que não voltarei em branco, quando compartilho isso com as amizades próximas, eu ouço que no momento é preciso eleger o branco de esquerda devido a visibilidade que ele tem, mas em nenhum momento eu ouvi uma autocrítica sensata questionando a centralidade da branquitude. Não importa qual branco que esteja no poder, o genocídio continua e a impunidade também. Ainda, é nós por nós, pois independente do governo, organizações negras têm exigido satisfação a respeitos dos crimes raciais no Brasil. Muitos associam essas conquistas a um projeto da esquerda branca na política, assim, resultando em um apagamento do protagonismo negro.

Aliás, vejo candidatos negros se ligarem a partidos menos populares para poderem ter a oportunidade de se candidatarem, isso me remete a outras situações, por exemplo, como a literatura. Que apesar das grandes editoras, a literatura negra tem sido publicada por editoras de menor circulação no espaço nacional, enquanto as editoras maiores mantêm a centralidade do branco em seus lançamentos e eventos.

Somos tão acostumados com a brancura política que desacreditamos até dos nossos, pessoas pretas, que tentam entrar nesse espaço. Ora deslegitimando os seus discursos, como despreparados, ora dizendo que deveriam ter entrado via tal partido, o qual nem sequer oportunizar a presença desses sujeitos.  Sim, eu tenho ranço do populismo branco, porque ele oculta um racismo feroz, enquanto dissimula equidade.

Enfim, minha gente, vote consciente. E aí: a sua consciência é antirracista?

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