Novamente a escola brasileira protagoniza o racismo

Até quando nossas escolas protagonizarão esse retrocesso? Até quando a imagem da mulher negra será posta como engraçada e como motivo de deboche nos espaços educacionais?

Entristece reconhecer que o espaço que tem como objetivo ser crítico e problematizador ainda (arcaicamente e ignorantemente) reproduz a apropriação cultural e a depreciação do povo negro, principalmente quando reforça a objetificação da mulher negra.

Profissionais da educação ignoram a essência e a razão dos questionamentos lançados à sociedade a fim de repensar seu posicionamento diante de caricaturas, da etimologia de algumas palavras, da real situação do povo negro no Brasil e de seu importante papel na superação das desigualdades entre brancos e negros.

Se a escola não avançar sobre isso, quem vai?

Uma escola do Distrito Federal vive essa contradição ao ter em sua comemoração junina a personagem da nega maluca representada na festa por uma professora com sua pele branca pintada de preto (o famoso Black Face), como demonstram as fotos.

nega maluca

Talvez a escola citada não tenha questionado a origem do Black Face ou da Nega maluca -1° equívoco- ao tê-la como personagem em sua festa, ou não trabalhe as questões de raça pautadas na Lei 10.639/2003 -2° equívoco-, ou ainda não tenha achado motivos para não ter uma pessoa branca pintada de preto em sua festa -3° equívoco.

Não só a escola desta reportagem, mas outras escolas pelo Brasil protagonizam o racismo, o fascismo, a homofobia e o preconceito. Até quando nossas escolas protagonizarão esse retrocesso? Até quando a imagem da mulher negra será posta como engraçada e como motivo de deboche nos espaços educacionais?

Chama à atenção o fato de ser um/uma profissional da educação ao postar as fotos, divertir-se na oportunidade e postar em uma rede social de ampla divulgação e de modo público, o que nos traz a reflexão sobre a certeza de que nada seria feito e que esse é mais um ato corriqueiro e banal no país que ainda insiste em negar suas origens e o racismo enraizado em suas práticas.

Em um momento de ataque aos nossos direitos sociais, nos perguntamos qual a profundidade das reflexões sobre racismo pautadas nas nossas escolas. É triste, é atual e precisamos nos posicionar. Racistas, não passarão!

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Diametralmente oposto a esse padrão aceitável se encontra, por lógica, o corpo negro. O corpo negro, seus traços, sua genética, seu fenótipo e a infantil tentativa de negar a construção social que tem o gosto. Somos, todos nós – negrxs e brancxs – expostos desde crianças a propagandas, programas infantis, desenhos, revistinhas em que predomina um padrão de beleza europeu. “Gosto não se discute” porque a mídia já deliberou sobre ele por nós, apresentou-o e nós, como o esperado, compramos não só o gosto mas também o slogan. Continuemos sorrindo!