Conseguimos! Vitória da classe trabalhadora, dos estudantes, das mulheres negras, dos brasileiros. Podemos dizer que vivemos uma montanha russa de sentimentos do dia 4 de outubro até o dia 25. Fomos, inicialmente, tomadas pelo susto, pelo medo e pela sanha bolsonarista de um regime político que aniquilaria as possibilidades de diálogo. Na disputa do primeiro turno, envolvidos de um forte sentimento de “já ganhou”, as lideranças partidárias nos fez pensar que o pleito já era nosso. Já nos sentíamos vencedoras antes mesmo de sair o resultado nas urnas porque à nossa volta tudo já estava vermelho: redes e ruas.
Por isso, nos surpreendemos com um segundo turno apertado, com um número expressivo de eleitores que votaram num candidato de fama controversa. Analisar nossa sociedade, nesse contexto, merece um outro texto, dias de reflexão e análises de conjuntura: merece estudos sociológicos para compreender como valores, educação, cultura e tecnologia podem transformar as mentalidades modernas.
Mas o segundo turno – la segunda vuelta – (por mais estranho que fosse o sentimento) amanheceu vermelho graças aos estudantes da UFF (Universidade Federal do Fluminense), que iniciaram os gritos e bradavam nas ruas a necessidade de mobilização e articulação para a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Mobilização que as mulheres negras brasileiras sempre mantiveram, nas ruas e redes por todos esses anos, visíveis em 2015 e 2025, com a Marcha Global de Mulheres Negras. Com suas Redes, Articulações, Organizações Sociais e Movimentos históricos.
A partir dos estudantes organizados, das universidades, das escolas que foram às ruas emergindo em São Paulo, do Recife, de Salvador, Santa Catarina, pouco a pouco, as estudantes saiam das salas de aula e estavam distribuindo folhetos, panfletando, conversando com todos, dos mais novos aos mais velhos, em todas as capitais como uma onda, como é da tradição da nossa classe se organizar.
Nas palavras de Sueli Carneiro, “eu não sou o futuro desse país. Vocês (a juventude) são. E esse país será, aquilo que vocês conseguirem transformá-lo. Aquilo que vocês conseguirem garantir que ele venha a ser”. (sugestão de colocar o video aqui, além de ter a citação).
Pois bem, essa corrida no segundo turno mostrou que a juventude tem sede e fome de liberdade, de direitos, de políticas públicas, e mais, mostrou que tem capacidade de mobilização e de reorganizar as estratégias para a transformação . Os atos na Paulista e em Copacabana ainda impressionam pela magnitude e quantidade de adeptos, pela criatividade, pela visibilidade dos direitos e diversidade das pautas. No fim, conseguimos!
Outro esforço que não pode ser esquecido é o do Deputado Federal eleito por Minas Gerais, André Janones e o Exército do Lula: quando foi que nós, mulheres negras, nos imaginaríamos entrar para um grupo com nome de “exército” e nos denominando de soldadas? Pois bem, eu nunca achei que esse momento chegaria, mas foram dias intensos ao som do “PESSOAL URGENTE” e EXPLODE”, cumprindo metas em nome da defesa da democracia que nos fizeram agir e refletir sobre a necessidade da ocupação estratégica das redes.
Nós, as Blogueiras Negras, sabemos da importância desse espaço há 15 anos, quando eramos taxadas de “ativistas de sofá” e quando os financiadores diziam que não precisava de dinheiro pra fazer ciberativismo.
O que vivemos nesses 20 dias foi literalmente os esforços de proteger a democracia com unhas e dentes, protagonizados pelos filhos de uma pátria que não foge à luta. Frente a tantas discordâncias, frustrações e perdas, a maior coisa que poderíamos perder fez com que um país inteiro se unisse para que a liberdade permanecesse como uma realidade.
Aqui na Bahia, quando o tricolor ganha, dizemos que está “tudo certo na Bahia”. Hoje, amanhecendo com Lula Tetra, podemos dizer que está tudo (quase) certo no Brasil e está muito claro para nós, que sim, te colocamos aí e Sr. Presidente, comemoramos ontem, descansamos hoje, mas amanhã, estamos de pé na sua porta, pedindo nossas Ministras Negras no STF.
