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A ditadura dos cachos comportados

Sejamos irmãs e tenhamos sensibilidade e senso crítico para lidar com as armadilhas do racismo. Não podemos cair no jogo sujo da “aceitação” racista, que visa apenas nos separar e manter o projeto colonial de aniquilação de nossa ancestralidade, por meio do apagamento de qualquer traço cultural ou fenotípico que remeta à África.

Nossa cota se chama mérito

Enfim, suas categorias político-sociais-econômicas-blá-blá-blá não foram suficientes para nos manter sob controle e agora queremos mais e mais. Queremos ocupar as cadeiras, queremos salas com nossos nomes gravados nas placas da porta com títulos e mais títulos antes deles, currículos que falam por si e tornam nossos rostos negros e duros ainda mais assustadores. Afinal, desmascaramos suas mentiras e dominamos também seus conhecimentos, invadimos sua praia e estamos à vontade para empreender as mudanças necessárias, abrindo com foices e facões as trilhas para os outros que virão. E eles certamente virão, aos montes e trarão outros!

Poéticas do gueto

Estamos escrevendo uma nova realidade para o povo preto. É absolutamente contagiante ver o orgulho nos olhos dos nossos irmãos se sentindo cada vez mais bonitos, admirando sua quebrada sem perder a consciência de que a luta pela dignidade e pela liberdade é todo dia. Se alguém ainda tem muita dificuldade para entender essa dinâmica, para acompanhar a diversidade criada pela criatividade de nosso povo, não se preocupem, para isso estamos nas suas universidades, para tentar explicar pra ver se vocês entendem e conseguem deixar de separar a luta, a politica, a militância da sensibilidade, da beleza, do lirismo.