Carta ao Colonizador

Você mente colonizador! Existem histórias que você não contou, bonitezas identitárias  de povos, que você subestimou! A nobreza do povo preto, que brancos ocultou, e em atos  de violência raptou, levou para as diáspora, escravizou! Hoje dizem que esse povo, não  contribuiu, que cor preta, não tem valor, que não existem dívidas, mas o trabalho forçado,  que branco explorou, é silêncio perturbador! Essa dívida, colonizador, geraram juros, correções que você embolsou, os privilégios que descendentes seus acumulou! Nem  dividendos compartilhou! O Sr. mente, Colonizador! Esconder nos escritos, nos livros! Que não haviam pretas(os) cientistas, arquitetos, criadores! Que não tinha conhecimento de  doutor! E a ciência natural, que você utilizou? Desconsiderou! E as ervas medicinais,  indicação dos ancestrais, aquelas que te curou? Denominou como magia, condenou como inflação, bruxaria! Sentenciou e matou, ainda mata nestes dias! Queima e queimou, nossa religião, negou, demonizou! Nos deu rótulos de infrator, para isso não invisibilizou, quando foram vocês, que transformou em escravo, ser humano, que era livre como  pássaro, para abandonar desempregado, sem assistência ao caso, quem com ervas te  salvou? Intolerância é sua moeda de valor! Mulheres pretas, foram dizimadas, as  mesmas, que seus filhos amamentou! Lavou suas roupas e passou, sua casa cuidou, cozinhou, culinária e iguarias, há! O branco gostou! Tanto, tanto! Que se apropriou, ainda eram obrigadas a te satisfazer nas madrugadas! Quando senhoria, estava cansada! Essas pretas, as criadas, apanhavam das mulheres brancas, mal amadas, arrancavam bicos dos seios, davam chicotadas, mas o pior destino era quando lhe arrancavam seus filhos!  Vocês rotularam de liberdade, quando expulsaram povos pretos da cidade, enxotaram das mansões, sem direito a indenizações, sem direito a educação, sem direito ao trabalho, sem remuneração, sem direito, dignidade de cidadão! Convidaram os brancos de outras nações,  para assumirem cargos, com cotas e indenização, renda e título de cidadão. Ainda disse que povo preto, andando na rua, sem emprego, seriam presos. Ai, Superlotação! Matança! Antes de chegar na prisão, é a melhor solução! A contemporaneidade! Após quinhentos, outros tempos, quase nada mudou! O rio é de dor, encontro de sangue derramado, com  lágrimas de mães em luto, afogadas! Tiro certeiro do preconceito, não é bala perdida, a direção é sempre pretos nas periferias, toda mãe teme, cruel destino, para seus amados filhos! Mas quem está sentindo? Se as balas já tem destino? Corpos-crianças, meninos estendidos, perfurados de balas! Quem matou os caras? Os inimigos! Que nos vê apenas  como bandidos, os pretinhos. Toma cuidado, filho! As drogas, elas abreviam os caminhos. Encurta vidas de meninos! Mas, qual seria mesmo o destino? Não responde. Mas, silêncio não é racismo? Silêncio. OUVI TIROS! Dor no peito, lembra mais um extermínio do povo preto, sempre escolhido. Estas terras que tantos povos abrigou, está sendo regada com  sangue dos pretos, Sr. Colonizador! O que cresce livre é nossa consciência, essa brotou, ancestralidade aflorou… Brotando para sustentar justiça. A justiça! Há de haver, neste  caminho de identidade a florescer. Este é nosso oásis! Onde saciaremos nossa sede  temporal com liberdade. Tudo que se foi, renascerá em tantos outros tempos, quantos  forem necessários, para fazer-se presente em todos presentes modernos e borboletear.  Nós sabemos e podemos, a raiz vingará! Viveremos em outras, tantas naturezas.  Formaremos os nós, resistindo por ideais, com a força dos Orixás. 

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