Não me vejo, não compro 2016 – A tal da Black Fraude

O termo Black Friday tem sua origem na Filadélfia, uma cidade com um longo e complexo histórico racistas, onde era usado por policiais para descrever o tumulto no trânsito em função do aumento de volume de compras no dia após o feriado de Ação de Graças. Não havia apenas uma Black Friday, mas também um Black Friday na década de 1960. A primeira tentativa foi de mudar de Black para Big, mas a expressão Big Friday não vingou.

Aqui no Brasil o comércio abraçou o termo e o vende como um momento de frenesi, onde é possível comprar com descontos incríveis. Para muitas de nós um apelo quase irresistível, porque é nessa época do ano em que alguns sonhos (e também necessidades)  poderiam se tornar realidade.

Porém a data é muito mais uma oportunidade para desovar mercadorias defeituosas e/ou encalhadas, para enganar o público consumidor. Tanto que o termo Black Fraude tem se tornado cada vez mais corrente. Poucas lojas são confiáveis, é corrente a prática de aumentar o valor do produtos antes da data para oferecer descontos ilusórios, oferecer prazos de entrega desrespeitosos.

Mas a fraude não é só na compra do produto, ali na boca do caixa virtual. Tem muita empresa vendendo um verniz de diversidade mas segue nos representando como se não fôssemos maioria da geral. Nada que um bom teste do pescoço não resolva. É para isso que estamos aqui. Não compre de quem não nos respeita. Dinheiro de preta é dinheiro consciente e a gente vai fazer valer o valor do metal.

O objetivo da proposta Não Me Vejo, Não Compro também é pensar o posicionamento das marcas analisadas em relação a representatividade, um conceito insuficiente porque evidentemente queremos ser mostrados como a maioria da população que somos, mas que serve de parâmetro para que possamos acessar quais são os valores empresariais acerca da população negra. Em especial a mulher negra.

O período escolhido para ser analisado foi o de 28 de setembro a 28 de outubro, para que o número de pessoas negras não fosse elevado artificialmente por conta de alguma campanha pontual, mesmo que sua relevância não possa ser de modo algum contestada. Foram consideradas as referências de mulheres, meninas e também personagens e bonecas para contabilizar a amostra.

O simples ato de contar faz com que não sejamos levadas a acreditar que estamos sendo representadas, o que pode acontecer por exemplo, quando nos deparamos com 20 ou 30% de mulheres negras. Algo que fica até parecendo muita coisa, quando a gente pensa que há marcas para quem simplesmente não existimos e nos fazem questão de dizer isso. Outra estratégia nesse sentido é fazer campanhas onde as mulheres negras são co-protagonistas em imagens de cabeçalho, mas sem qualquer representatividade de fato.

Outro cuidado é notar que, nem sempre nós mulheres e meninas negras estamos sendo representadas tanto em campanhas sociais quanto em campanhas que estão de fato vendendo o produto através de associações como beleza, pode, criatividade e sofisticação. Em alguns casos, esse papel cabe às modelos brancas enquanto nós representamos apenas campanhas sociais das empresas. Poucas mulheres brancas tem seus rostos associados as essas campanhas.

Ainda persistem estereótipos como meninos negros sendo associados a armas de fogo, o que é simplesmente inadmissível. Algumas empresas parecem acreditar ou desejar, quem sabe, que não existam pessoas negras que moram no Rio ou que fazem arte, por exemplo. Por outro lado, as campanhas com valores direta ou indiretamente ligados aos princípios feministas têm ganhado espaço. Muita da presença de mulheres negras nas campanhas vem desse movimento.

Porém na maior parte dos casos essa pequena visibilidade é muito seletiva, fazendo com que mulheres negras gordas, mais velhas ou trans não sejam entendidas como símbolos de humanidade, poder, criatividade, sofisticação. Nenhuma dessas mulheres está representada pelas marcas aqui colocadas durante esse período.

Outro detalhe é que, ainda que algumas empresas mostrem mais produtos que pessoas em suas páginas, a humanidade será estatisticamente representada por uma pessoa branca. Se houver uma ou duas, quem sabe três pessoas sendo mostradas numa rede social para vender um produto ou uma ideia, possivelmente essa pessoa será branca. É batata. Daí esse abismo que podemos ver nas estatísticas.

Infelizmente muitas empresas seguem repetindo seus scores de 100%, sem qualquer preocupação de colocar ao menos, 20% de mulheres negras em suas redes sociais, nesse caso instagram e facebook. Nenhuma empresa nos colocou como a maior fatia da população que somos, ainda que o dinheiro preta seja primordial para a economia.

Daí a importância de pensarmos em fazer o dinheiro circular entre nós, através de iniciativas que nos fortaleçam. Senão nos vemos, não vamos comprar. E queremos nos ver mais que 25% nas redes sociais. Mas também estamos atentas a esse espaço.

Resultados

MERCATTO

152 mulheres

85% de mulheres brancas

15% de mulheres negras

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RIACHUELO

92 mulheres

84% de mulheres brancas

16% de mulheres negras

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FARM

172 mulheres

77% de mulheres brancas

23% de mulheres negras

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SIBERIAN

25 mulheres

84% mulheres brancas

16% mulheres negras

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M. OFFICER

144 mulheres

100% de mulheres brancas

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MELISSA

34 mulheres

85% de mulheres brancas

15% de mulheres negras

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SHOP 126

125 mulheres

100% de mulheres brancas

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CANTÃO

114 mulheres

100%  de mulheres brancas

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ZARA

100 mulheres

97% de mulheres brancas

3% de mulheres negras

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RENNER

108 mulheres

90% de mulheres brancas

10% de mulheres pretas

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CEA

77 mulheres

79% de mulheres brancas

21% de mulheres negras

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TNG

34 mulheres

82% de mulheres brancas

18% de mulheres negras

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MALWEE

48 brancas

100% de mulheres brancas

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HERING

38 brancas

100% de mulheres brancas

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Cosméticos

RISQUÈ

133 mulheres

77% de mulheres brancas

23% de mulheres negras

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IMPALA

28 mulheres

100% de mulheres brancas

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O BOTICÁRIO

60 mulheres

63% de mulheres brancas

27% de mulheres negras

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QUEM DISSE BERENICE?

34 mulheres

68% de mulheres brancas

32% de mulheres negras

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NATURA

21 mulheres

66% de mulheres brancas

34% de mulheres pretas

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AVON

41 mulheres

56% de mulheres brancas

44% de mulheres pretas

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VICHY

15 mulheres

100% de mulheres brancas

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Crianças

PAMPILI

88 meninas

92% de meninas brancas

8% de meninas negras

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LILICA E TIGOR

33 meninas

90% de meninas brancas

10% de meninas negras

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FISHER PRICE

14 meninas

85% de meninas brancas

15% de meninas negras

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31 bebês

90% de bebês brancos

10% de bebês negros

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RI HAPPY

42 meninas

97% de meninas brancas

3% de meninas pretas

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Tecnologia e eletrodomésticos

SAMSUNG DO BRASIL

4 mulheres

100% de mulheres brancas

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LG DO BRASIL

9 mulheres

100% de mulheres brancas

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SONY DO BRASIL

1 mulher

100% de mulheres brancas

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RICARDO ELETRO

3 mulheres

100%  de mulheres brancas

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AMERICANAS

43 mulheres

95% de mulheres brancas

5% de mulheres negras

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WALLMART

5 mulheres

100% de mulheres brancas

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Referência

The origins of Black Friday

Estes são os 188 sites que você deve fugir nesta Black Friday, segundo o Procon

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