Piedad Córdoba: mulher negra candidata a presidência da Colômbia

E a solidariedade ao povo venezuelano

Advogada, ativista, defensora dos direitos humanos, filha de um casamento inter-racial, como é comum nos países colonizados, mulher de um carisma inigualável Piedad Córdoba pode ser a primeira mulher negra presidenta na América Latina. Usando sempre seu turbante, como um posicionamento político de fortalecimento com os laços africanos e não como um adorno,

Piedad é um grande nome para as eleições colombianas em 2018, nas redes sociais já é possível observar todo o tipo de ofensa odiosa contra a candidata. Mesmo com pouca probalidade devido ao processo de direitização e retrocesso que América Latina vive, caso Piedad ganhe a eleição a relação entre Colômbia e Venezuela poderá se alterar, uma vez que a candidata apoia abertamente o bolivarianismo, mesmo considerando que as esquerdas latinas foram inferiores ao momento vivido.

Em um sistema que refuncionaliza nossas diferenças, desde que possa obter algum ganho com isto, a candidata é a concretude de tudo que possa ser entendido como “minorias” sofrimentos que, perpassados, formam uma classe em suas diversas dissonâncias. Sim, somos classe e a história é entendida sempre como um campo de batalha, diferentemente do que faz as teorias liberais da direita que pensam em partes e lutas isoladas e que só enxergam o trânsito para outra sociedade por meio de ações afirmativas, que são de extrema importância, mas não nos retira das armadilhas do neoliberalismo. O capital sempre absorve as nossas pautas, não nos enganemos, seja no consumo, no privilégio ou em qualquer outra forma de aparente mudança em que a essência da exploração sem fim permanece.

Nestes últimos tempos em que a violência exalou em todo mundo, contudo apareceu somente sob o nome de “Venezuela e chavismo” a mídia trabalha arduamente e mundialmente para desinformação da maioria esta é a altura de nos colocarmos solidários ao povo venezuelano, que como bem sabemos sofre historicamente uma guerra abafada dos Estados Unidos contra este país, um povo altamente politizado, que mostra isto toda vez que é chamado a decidir o caminhar político do seu país, vão às ruas, atravessam rios e cidades. Em meio as guerras locais os Estados Unidos e seu poder financeiro, age asfixiando todo e qualquer movimento contrário ao seu poderio apregoando uma suposta paz na Venezuela que já entoada pelo mundo, mesmo por aqueles que nunca sequer colocaram os pés no país, aqueles que desconhecem os avanços e recuos que país teve nas últimas décadas, nem Chaves nem Maduro estão isentos de críticas.

Entretanto, com toda a violência no país a vitória é sempre do discurso da grande mídia contra as poucas vozes que se levantam individualmente lutando contra a régua do mundo, onde já não existe mais exílio possível. A morte do povo pobre em qualquer lugar do mundo afeta a todos os que lutam, porque mata a possibilidade de resistência, da não aceitação de uma vida medíocre e indigna, mata a esperança e a utopia.

Piedad é lúcida sabe que grande parte da culpa da direitização da América Latina também é da esquerda em suas radiografias equivocadas do mundo, perdeu o horizonte do socialismo, logo olhamos já desgraça do mundo nos escondendo e com a triste ilusão legal que somos iguais, colocando as mazelas na conta dos indivíduos em sua forma meritocrática. Por vezes a desgraça aparece lúdica, como em um quadro a escravidão romantizada, os trabalhadores sem-terra em sua beleza campesina, bucólica vendidos em fotografias mercantilizando o horror. É contra este modo de vida que nos levantamos e Piedad também o fez quando esteve na Venezuela, pela autodeterminação dos povos de nossa América!

 

You May Also Like
Leia mais

Negro gaúcho. Memória farroupilha ou lanceira?

O escravo gaúcho, no campo, normalmente se dividia em dois grupos: o da charqueada e o campeiro. A lida de um escravo campeiro, em geral, não era tão ”penosa” como nas charqueadas, visto que se trabalhava a cavalo e entre poucas pessoas. Essa função era vista como perigosa pois a estes cativos eram entregues instrumentos de trabalho e andavam a cavalo sem nenhuma vigilância. Isso reforça o mito de que a escravidão no RS tenha sido mais branda, pois nas charqueadas e nas fazendas cafeicultoras e açucareiras, não se encontrava escravos com tais níveis de “liberdade”, no entanto não há um consenso entre os historiadores a respeito da participação do escravo na atividade pastoril.
Imagem - Agência Apublica.
Leia mais

Aborto e ilegalidade: a violência do Estado contra as mulheres negras

É importante referenciarmos, que o Estado brasileiro, garante em sua constituição, o direito à vida e à saúde como inalienáveis, que não podem ser negados a ninguém, pela sua cor, raça, gênero ou orientação sexual. É dever então, do Estado Brasileiro, zelar pelo bem-estar de todos os seus cidadãos e também de suas cidadãs, atentando-se as demandas especificas de saúde possuída por cada grupo. Isto é que se chama de princípio da equidade, que a grosso modo pode ser resumido como, tratar os iguais como iguais e os diferentes como diferentes.