Onde estão as bailarinas negras

O fato de nossas bailarinas não serem reconhecidas pelo grande público me faz pensar em Amarildo, cujo paradeiro é desconhecido após ter sido levado para averiguação pela PMERJ. Ele que denuncia o perigo histórico de sermos nada mais que um recurso barato, renovável, descartável para que a supremacia brasileira branca funcione perfeitamente bem. Desaparecemos concreta e imageticamente.
Sérgio Cardoso (Tomás) e Ruth de Souza (Cloé) em A Cabana do Pai Tomás.
Leia mais

O negro na tv brasileira. Onde está?

Encontramos uma participação maior do negro na televisão, é fato, porém continua a vinculação do estereótipo do negro que samba, gosta de pagode, é malandro ou exerce profissões subalternas e quase imperceptíveis. Muitos negros não gostam de samba, alguns nem sabem sambar, curtem outros estilos, mas esses nunca são representados na televisão. A sociedade mudou e ainda não conseguimos ver o reflexo disso na telinha. Não existe o que os mais modernos chamam de “democracia racial”, embora muitos projetos levantem a bandeira. Somos mais de cem milhões de brasileiros, representamos mais de 50% da população e o instrumento mais popular, que é a televisão, não nos representa.
Cleidiana Ramos é jornalista.
Leia mais

Quantos negros para cada dez personagens?

Agora vocês, bons de matemática, calculem por favor a probabilidade de Verônica de Amor à Vida ser negra e transexual. E médica, anotem. Na minha época de escola, zero multiplicado por quase nada sempre foi uma impossibilidade, mas não custa nada perguntar. Também é preciso aparecer em boas cenas. Dessas que são divertidas, emocionantes e tem final feliz para mostrar para a garotada que a gente também pode. Acho que não é pedir muito.